18 de ago. de 2009
Graffiti e Guerrilla: comunicação transgressiva na cidade contemporânea

A guerrilla é um fenômeno que desorganiza a programação visual institucionalizada pela industria cultural e pela sociedade de consumo nas cidades contemporâneas. Usando recursos semelhantes aos da publicidade, a guerrilla é inovadora pois faz da transgressão seu melhor aliado, seja por ocupar espaços proibitivos, seja por se apropriar, traduzir e esvaziar os meios de comunicação de massa de suas funções originais. Podemos entender a guerrilla como conjunto de interferências visuais urbanas, contemporâneas, realizadas por coletivos ou indivíduos anônimos em sua grande maioria. Pode apresentar-se na forma de pinturas, adesivos, cartazes ou panfletos, podendo chegar algumas vezes à forma de interferências tridimensionais, ocupando atualmente um lugar importante no cotidiano de nossas vidas urbanas.



e a publicidade, por um lado, tem lugar em um quadro perfeitamente delimitado – lugares institucionalizados e pagos que lhe conferem autoridade e legitimidade para existir no entorno urbano e humano; já os modelos de interferências urbanas informais e artísticas se caracterizam pela ausência de um marco próprio, e isso já constitui sua especificidade, um elemento importante de sua concepção tornando-se, pois, mais um atrativo que uma deficiência. Neste sentido, detectamos um uso indiscriminado do espaço público que acaba por ser transgressor ao passo que se apropria de superfícies públicas não destinadas para estes fins: desde paredes de edifícios, até espaços publicitários reservados, ou mobiliário urbano (orelhões, pontos de ônibus, caixas de correios, etc.) e em casos extremos em monumentos e em patrimônio público. Algumas interferências, por terem um aspecto estético mais atraente que outras, costumam ser mais toleradas.. Porém, a guerrilla realiza sua tarefa reivindicativa e assume seu verdadeiro caráter transgressor diante de uma sociedade que determina praticamente todas as formas de atuação e de comunicação: controlando os meios de comunicação existentes, controlando o que podemos dizer e o que não podemos, até onde podemos dizer e onde não podemos.

Atualmente, as associações entre guerrilla, graffiti e arte pública produzem mais sentido do que nunca, uma vez que as formas de produção visual contemporâneas não têm mais que responder a um modelo de narrativa fechado e excludente. Assim, graffiti, guerrilla e arte se tornam expressões híbridas e podem ser analisadas e diferenciadas, se necessário for, a partir de elementos que a própria arte vem
apropriando para si.



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Escrito por Paulo as 06:49

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Nome:Paulo Alexandre Coelho (P.A)
Graduação: Comunicólogo, pós Graduado em Arte Cultura Visual e Comunicação- Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF)
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